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Uber e uma Nova Forma de Distribuir Renda

Entenda como o Uber pode ser a solução para o país distribuir renda de forma mais democrática.

O Uber é uma plataforma que encontra motoristas para te levar a um destino. Algo muito similar ao táxi. Ou seja, você entra na plataforma (app), diz seu destino, e o Uber chama um motorista que te leva onde você quer.

Os serviços de Táxi e do Uber são muito parecidos (sem comparar qualidade). A principal diferença do Uber para um Táxi, em termos de negócio, é que para o taxista possuir um Táxi ele precisa comprar uma licença na prefeitura que fica disponível somente através de edital. No Uber, você apenas precisa possuir um carro e passar por um processo seletivo. Além do fato do Uber estar ganhando a concorrência com os taxistas simplesmente por prover um serviço melhor e mais barato, outro motivo para a briga entre ambos é justamente essa licença que é necessário possuir para rodar com um táxi.

A reclamação dos taxistas é que além dos motoristas Uber não pagarem os mesmos impostos, eles também não precisam comprar essa licença na prefeitura. Mas convenhamos, normalmente quem é dono das licenças não é o próprio taxista, mas sim um empresário que é dono de uma frota de táxis. Esses empresários ganham 70% do que o taxista fatura no táxi, e o taxista fica com 30%. Essa é a realidade dos táxis.

Já no Uber é o oposto. O motorista fica com 80% e o Uber com 20%.

Não estou dizendo que o empresário é um pilantra, só estou mostrando o modelo existente. Eu também sou empresário e acredito que as pessoas tem total liberdade para conduzir o negócio delas como elas quiserem. Mas, ao mesmo tempo, acredito que um negócio só pode ter sucesso se possuir clientes reais e satisfeitos e que tenham total liberdade de escolha. Assim como o empresário tem liberdade de escolha na hora de montar seu negócio, o cliente tem liberdade de escolher se quer ou não quer determinado serviço. É assim que um mercado democrático funciona, pelo menos no papel.

No entanto, ultimamente estamos vendo essa briga dos taxistas para acabar com o Uber. Eles acreditam que estão sofrendo concorrência desleal, afinal o Uber é mais barato e ainda não precisa pagar pela licença de taxista.

Mas o que seria mais justo acontecer?

Bom, justo é os clientes terem um serviço decente e com preço justo. Por essa razão o motivo óbvio seria liberar o Uber. Mas isso seria justo com os taxistas?

Na minha opinião, os taxistas estão perdendo tempo em não se tornarem Uber de vez. Se os taxistas pensassem dessa maneira, eles passariam, da noite pro dia, a ganhar 80% de suas corridas. Ou seja, segundo o Uber, um carro Uber fatura por volta de R$ 1.440,00 por semana. Se considerarmos que o Uber é 20% mais barato que um táxi, um taxi fatura por volta de R$ 1.728,00 por semana. No entanto, somente 30% é dele, então o taxista ganha R$ 518,00 por semana enquanto o motorista Uber ganha R$ 1.200,00 por semana.

E por que o Uber distribui rendas?

O Uber distribui renda pelo simples motivo de ter mais pessoas trabalhando por conta própria e recebendo mais por isso. Quando o Uber foi criado surgiu um novo modelo de negócio. Esse modelo de negócio distribui a renda de forma mais democrática, mas ainda leva em conta a qualidade do serviço, já que um motorista pode ser expulso se não prestar um bom serviço. Dessa forma, muitas pessoas que nunca imaginariam ganhar mais de R$ 4.000,00 passaram a ter essa possibilidade.

Para quem acha que isso é socialismo, está redondamente enganado. Esse é um modelo que distribui a renda, mas não de forma igualitária, mas sim em forma de meritocracia, ou seja, aquele que presta o melhor serviço, trabalha mais, ganha mais.

E tem outro motivo para o Uber ter um papel importante na distribuição de renda. O preço pago pelos clientes para utilizarem o serviço. Como é 20% mais barato para utilizar o Uber, os clientes gastam menos, e podem usar seu rico dinheirinho em outros lugares. E não é só no mercado de transporte que isso pode acontecer. Todos os mercados de prestadores de serviço isso deve acontecer em breve. Ou seja, adeus escritórios de contabilidade, advocacia, imobiliárias, assessorias de imprensa, agências de marketing, entre outros.

Não estou dizendo que essas profissões irão acabar. Estou dizendo que o modelo tradicional com escritório e muitos empregados vai dar lugar para um sistema mais democrático, onde mais gente ganha mais. Afinal, por que um contador iria continuar trabalhando em um escritório de contabilidade ganhando R$ 1.200,00 se ele pode ganhar R$ 4.000,00 e trabalhar de casa? E outra, além de ser melhor para o contador é melhor para as pequenas empresas que passam a pagar bem mais barato pelo mesmo serviço, já que os custos de um modelo de negócio como esse é menor.

É por essa razão que eu acredito que o Uber e outros negócios similares vão modificar a economia não só no Brasil, mas no mundo inteiro, dando oportunidade para aqueles que não tiveram muita oportunidade de estudar, remunerando a todos de acordo com a meritocracia.

E viva a verdadeira distribuição de renda.

Rafael Neaime

CEO da Biziil, especialista em crescimento de empresas na internet.

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